Certezas absolutas

As certezas absolutas

Existe um fenômeno nos vinte e poucos anos que eu nomeei de “sindrome da verdade absoluta”.  Nos apegamos a verdades imutáveis que nós mesmos construímos e tornamos aquilo nossa bandeira, nossa luta…nossa personalidade.

Irônico isso ser coisa de gente jovem, né? Logo numa idade que é permitido experimentar o mundo, ser muitos, ser tudo. Olho para trás, no alto dos meus 28 anos, e tenho que admitir que  era a rainha da certeza absoluta. Só abria a boca pra vomitar frases de efeito, afirmar todo aquele estereótipo que eu tinha inventado pra mim mesma. E é aí que se percebe como o nunca que tanto fazia parte desse vocabulário foi ficando escasso e dando espaço para os nosso novos companheiros: “tavez”, “quem sabe?” e o  “olha, não duvido que isso possa acontecer, viu?”. A idade traz uma única certeza: não temos certeza de absolutamente nada e o amanhã é sempre uma surpresa maravilhosa que merece ser vivenciada de peito aberto.

Mas, como a vida é uma escada e a gente tem que pisar em cada degrau pra chegar ao exato ponto onde estamos (fazer comparações bregas ,sem vergonha de ser clichê, entre vida e escada também é uma coisa adquirida com o tempo), agradeço ao meu de ontem cheio de nuncas – nunca mais volto pra essa cidade, nunca mais vou escrever, nunca vou ter paciência pra cozinhar ou cuidar de flores, ele  nunca vai me trocar por uma enfermeira que dança pole dance, eu nunca vou sair da minha casaca e me expor, nem que seja só um pouquinho, e dividir minha vida e textos por aí – por ter tornado o meu hoje cheio de sim e o maravilhoso e libertador talvez.  Porque não existe nada mais mágico do que não saber o que vem por aí e ficar tranquila com isso.

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