Despedida

Estava na hora da despedida. Eles se abraçaram forte. Ela entrou no carro, enxugou as lagrimas e decidiu sair sem olhar para trás. Já sabia que era o fim. Ele bateu na janela e fez sinal para ela abaixar o vidro.

 

–  Mais tarde eu te ligo, pode esperar.

 

– Não fala isso. Você não vai conseguir. Segue tua vida que é melhor.

 

– Eu vou te ligar!

 

– Não fale isso. Eu não quero. Adeus!

 


 

Se arrependeu das palavras assim que a imagem dele sumiu do retrovisor. Queria voltar e dizer: “Não precisa ligar. Entra logo nesse carro e vamos fugir. Vamos pra uma casinha no meio do mato. Eu agüento, você vai ver! Só preciso passar numa farmácia pra comprar um repelente e a gente vai ser feliz! Eu prometo!“. Mas a razão não deixou.

 


 

Passou na padaria, comprou dois sonhos e foi pra casa esperar o email triste. Chorou, acabou com os sonhos e nunca mais conseguiu passar repelente.
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