Conversa alheia

A minha especialidade nessa vida não é produção de moda, fazer brigadeiro (um dos melhores do mundo), nem lembrar o nome de todas as sub celebridades brasileiras O meu verdadeiro dom é ouvir conversa alheia.

Na rua, em restaurantes, no metrô, na fila do banco…todo lugar é lugar.

Minha mãe não se orgulha muito, mas se eu nasci com esse dom, não posso ignora-lo, não é mesmo?

Aí que hoje estava esperando o sinal abrir e um grupo de 3 rapazes e uma moça conversavam.

– Banho com primo? Vocês se pegavam?

– Não.  São meus primos, oras.

– São? Era mais de um?

– Sim, mas isso quando eu era criança. Tinha uns 16 anos. Eu e mais 3 primos tomávamos banho juntos sempre.

– Arff! Que horror!

– Horror nada. É igual a você tomar banho com a tua irmã.

O sinal abriu e eles saíram na minha frente. Fiquei parada uns 10 segundos tentando assimilar aquela conversa bizarra e segui meu caminho também.

Mas, na minha imaginação, o que aconteceu mesmo foi:

Viro pra ela e falo:

– Minha filha, segure minha mão e me acompanhe, por favor!

– Oi? Por que?

– Porque eu tenho que te levar pra um analista agora.

– Me solte, sua louca!

– Não! É para o teu bem e o dos teus futuros filho!

– Eu não sou louca, não preciso de analista.

– Minha filha, você acha que aos 16 anos ainda era criança, não entende a diferença entre banho e suruba e ainda me diz que é normal? Venha logo e não faça escândalo que vai ser pior. Ande!

Não sei o que é pior: escutar conversa alheia ou ir além e imaginar toda uma cena num universo paralelo. Talvez eu que precise do tal analista.

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