Trauma

– Que bom que você voltou, fico feliz!

– Pois é, dessa vez voltei pra ficar mesmo.

– Que bom, porque da outra vez eu fui te procurar e você ja estava longe.

– Foi mesmo, né? Sou uma doida.

– Pois é, lembra daquela vez que fomos naquele show de rock?

– Naquele que vimos o Supla de calça branca?

– É. Esse mesmo. Lembra que eu estava com uns amigos?

– Estava? Não lembro disso.

– Menina, o meu amigo ficou doido por você, mas você nem deu atenção pro coitado. Semanas depois fui te procurar pra gente sair, mas a senhorita ja tinha ido.

– Meu, nem lembro disso. Mas, veja bem, eu fiquei muito traumatizada naquele dia.

– Traumatizada?

– Sim. Eu to lá, feliz e dançante e dou de cara com o Supla, de calça apertada branca, com um culote imenso e parecendo ser mais velho que o próprio pai. Isso não é fácil de esquecer. Aquele culote me deixou traumatizada.

– É verdade. Te entendo.

– E aí? Cadê teu amigo?

– Agora já ta casado.

– Droga! Maldito culote!

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