guarda-chuva

Ela chega nas festas toda molhada por causa da chuva e algumas pessoas pensam:  “Olha só como ela é cool e divertida. Tá nem aí se a chuva vai desfazer a escova ou se a maquiagem vai borrar. Aposto que nem ligaria se estivesse com roupa branca e com o sutiã aparecendo. Essa sabe viver a vida sem frescura!”

O que essas pessoas não sabem, é que, na verdade, ela tem pavor de sombrinha, guarda-chuva, capa… qualquer umas dessas coisas. E não é pelo seu instinto rebelde.

O fato é que ela nunca soube lidar com esses objetos. Nunca soube a hora de abrir, como segurar, não consegue acompanhar os passos lerdos de quem faz a gentileza de oferecer carona, tem medo de ser levada pelo vento – trauma de infância – morre de vergonha só em pensar que o vento pode fazer a sombrinha virar toda ao contrario, quebrar no meio de uma rua  lotada e ficar lá com aquela cara de que não sabe nem usar uma simples sombrinha (ela não sabe mesmo, mas não acha necessário que as pessoas saibam disso dessa forma tão pouco digna).

Mas o pior de tudo nem são essas coisas citadas acima. A pior parte mesmo é o depois. O que fazer com aqueles objetos molhados? Guardar? Onde? Deixar em algum lugar até que seque? Novamente vem a pergunta: onde? Enfiar na bolsa junto com o celular e o pobre moleskine cheio de ideias e lembranças? Não, ela jamais passaria por tais situações. Se recusa.

Pra evitar maiores constrangimentos e conseguir enfrentar os dias de chuva com mais dignidade, frequenta o salão, religiosamente, a cada 3 meses para dar uma atualizada na progressiva – não é necessário assustar criancinhas no meio da rua com seu cabelo rebelde – e só uso rímel a prova d’agua. E assim pode ficar tranquila com sua fama de pessoa cool que aproveita as coisas simples da vida. Simples assim.

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