Perda

Eu tenho uma amiga. Uma melhor amiga. Ela é tão generosa que, no dia do casamento dela, ela me deu de presente uma família inteira, além do buquê.

Explico: Nessa época eu voltei a morar em Recife e o casório aconteceria em Brasília. Então peguei minha malinha e fui, 2 dias antes, para casa da minha amiga. Muito eventos estavam programados e eu, como boa ( bem mediana, pra falar a verdade) madrinha, tinha que estar a par de tudo e bagunçar um pouco os últimos dias de solteira dela. Só que a casa dessa minha amiga é enorme e a família dela é maior ainda. Andava pela casa e tinha gente em tudo quanto era canto e não acabava de chegar mais. Cada hora era um rosto diferente, uma piada nova e muitos bolos de rolo e queijos chegando e entupindo o freezer e a geladeira. Eu, como boa tímida e chatinha (nisso eu sou boa mesmo), olhava aquela animação toda de longe e até com um certo ar de “ok, vocês são ótimos, são animados, mas me deixem aqui no meu canto” ou “piscina? nanão, obrigada! sou superior a esse tipo de divertimento”. O tempo foi passando e eu até consegui levar essa minha fama de chata até o dia do casamento – não me orgulho disso. Só que aí veio o casamento, veio a emoção, veio o champanhe, a timidez me abandonou, a bebisse entrou em minha vida e na de todos os presentes e, de repente, eu ja estava abraçando todas aquelas pessoas, chorando, rindo e dançando funk até o chão com elas. No outro dia rola aquela ressaca moral básica. Você não sabe se dá continuidade aquela intimidade do dia anterior ou se reza pra que todos estejam de ressaca moral também e finjam que não lembram de nada. O famoso: “se eu não lembro, eu não fiz”. O fato é, que de alguma forma misteriosa, depois que escuto um senhor simpatico, daqueles que dá vontade de dar um abraço forte e demorado, gritar no meio do churrasco da ressaca pós casório um tal de “Tá viva, bebinha?” na maior intimidade e até orgulho, foi que me senti parte dessa família tão maravilhosa. Depois disso foi um tal de chamar os jovens de primo, os mais velhos de tio e o tio simpático de bebinho. E é pra esse querido que escrevo hoje. É pra esse ser maravilhoso que me acolheu, me fez rir, que foi meu tio, que quis ser meu sogro, mas que virou mesmo um grande, querido e inesquecível amigo que eu mando a energia boa do mundo. Pra ele,pros seus filhos queridíssimos (meus primos de coração) Eduarda, Zé, Lucas e Jaime, pros sobrinhos e para os muitos irmão (Tia Germana, te amo e estou sempre aqui!) que mando meu beijo, meu abraço, meu choro e minha saudade. Morar longe não é fácil nessas horas.

Como não me canso de viver no meu mundo polyanistico, sempre acho que toda perda tem um ganho. A terra ficou um pouco menos divertida, mas o céu agora vai ficar muito mais colorido.

Obrigada por me fazer entender que ser divertida não é bobo, que a vida precisa de leveza e um pouco de ressaca moral pra ter histórias pra contar. Você vai fazer falta, tio Tonho.

Um beijo da sua querida bebinha!

* Sei que essa não é a melhor forma de homenagear, sei que não chega nem perto do que a família precisa e merece nesse momento, mas é o jeito consigo me expressar. Não sou muito boa nessas coisas de adeus.

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